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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Gran Turismo 6 traz realismo, variedade e Ayrton Senna

Gran Turismo 6 é um jogo que a Sony persegue como um ideal inalcançável, refazendo-o de novo e de novo na expectativa de trazer uma corrida profissional para a sala do jogador. O game conta com 1200 carros, 36 circuitos, 15 anos, 70 milhões de cópias. Seria um esforço inútil, não fosse a experiência do próprio diretor, Kazunori Yamauchi, com o automobilismo esportivo. E o Gran Turismo 6, lançado hoje (6) para PS3 chega para trazer mais realismo e mais imersão aos jogadores.


Reformulando o GT5 com uma dose de Senna

A parte óbvia dessa busca se dá pelo apelo gráfico do jogo, que claramente força os limites do PlayStation 3 com a iluminação versátil e uma contagem poligonal astronômica, tanto no carro quanto nas pistas. Texturas em alta resolução, ciclos de noite e dia e mudanças no clima completam o belo quadro. Ainda que seja importante mencionar Forza Motorsport 5, do Xbox One tem qualidade superior, nesse quesito, os jogos pertencem a gerações de consoles diferentes. Para a que acaba agora, GT6 é sem dúvida a referência em gráficos.


Isso, no entanto, diferencia pouco Gran Turismo 6 de GT5, que já era lindo – mesmo porque a contenda dos “Carros Premium”, com interior detalhado e partes customizáveis, continuará a incomodar os jogadores no novo jogo. O que realmente vem como novidade são as inovações de jogabilidade, que parecem ter consertado tudo o que o quinto jogo fazia de errado.


Para começar, as modalidades de jogo foram expandidas para englobar karts, rally e Fórmula 1 em uma série de variações competitivas, e a decisão não foi à toa – com a decisão de centralizar GT6 em torno do tricampeão Ayrton Senna, o estúdio decidiu incluir a reconstrução de sua biografia profissional em “temporadas de DLC”, começando nos circuitos de kart e se encerrando no GP Suzuka, último de sua vida. Essas fases especiais serão lançadas ao longo de dois anos, segundo o Instituto Ayrton Senna, e comporão a primeira biografia em game de grandes proporções, com direito à íntegra do documentário “Senna” e performances gravadas do piloto via Gran Turismo TV. Como cereja no bolo, a versão especial para o Brasil virá com o capacete e o macacão característicos de Senna para serem usados in-game e totalmente em português do Brasil.

Os novos tipos de corrida, junto com as variações climáticas e ciclos de dia e noite, deixam as possibilidades de jogo drasticamente aumentadas. Agregando-se àquilo, 71 traçados diferentes, no total, reciclam as pistas antigas e introduzem outras novas, fictícias (como um kartódromo in-door que parece ter saído de Mario Kart) ou reais (como o percurso “Stowe”, da famosa pista Firestone).


Uma grande melhoria acontece na interface geral do título. A Polyphony parece ter escutado os intermináveis lamentos dos jogadores quanto à demora e ao atravancamento dos menus de Gran Turismo 5, e o novo jogo vem com navegação pré-corrida inteiramente reconstruída. Apesar de o visual ser próximo, há muito menos camadas de menus, e elas estão muito mais fluidas que anteriormente, além de terem um detalhamento superior. Outra irritação que foi eliminada está na loja de carros usados do jogo, que agora os tem disponíveis em tempo integral, depois de habilitados – nunca mais um jogador precisará rezar para encontrar aquele 500R depois de cada evento.


Outra tentativa interessante da Sony é construir um aplicativo para celulares e tablets que, quando lançado, permitirá a qualquer jogador de GT6 mapear percursos usando o GPS dos aparelhos para competir com seus amigos. Preocupações com excesso de velocidade à parte, a ideia tem grande potencial, mas não se sabe ainda quando ele será lançado – só que ele será gratuito, assim como os modelos de carros conceituais que a Polyphony irá distribuir na PSN.

Realismo até no tato

O time de desenvolvimento do jogo optou por buscar mais realismo na reconstrução de alguns sistemas mecânicos do jogo: em uma evolução direta da engine de Gran Turismo 5, o comportamento da suspensão dos carros parece agora diferenciar muito bem veículos leves e pesados, enfatizando a dificuldade na transferência de peso do segundo grupo. Carros leves transmitem mais agilidade nas curvas, arrancam com menos coice e manobram com menos arrasto, enquanto os pesados dão mais trabalho quando estão sem assistência.

Chega a transparecer um certo sadismo por parte da Polyphony, em alguns momentos, o modo como essas reformas interferem em Gran Turismo 6. O sistema de câmbio e embreagem, por exemplo, agora chacoalha o carro como uma coqueteleira quando o jogador volta marchas em grandes velocidades, como se dissesse: “Você quer arrebentar o carro?!”. Os efeitos sonoros, embora excelentes, como sempre, foram reconfigurados para ressaltar barbeiragens, pronunciando sons de derrapagem, rotação excessiva e uso da zebra nas curvas.

O grande salto, no entanto, não acontece no DualShock, mas no uso do controle por volantes. A franquia GT sempre se dedicou ao realismo em seus jogos, mas Gran Turismo 6 leva o uso de volante e pedais para um nível comparável apenas com simuladores dedicados, como o rFactor. Nosso hands-on durante o evento de lançamento do jogo se deu quase inteiramente dessa maneira, e a experiência não tem páreo entre corridas para consoles.


Force feedback não é novidade para quem costuma usar esse tipo de controle, mas a apropriação que GT6 faz da tecnologia é inacreditável. Em retas, o material que constitui cada tipo de solo é desenhado com primor por pequenas vibrações e baques distribuídos pelo volante. Pequenas pedras aparecem com perfeição, ranhuras no asfalto fazem pular as mãos, a neve dá um chacoalho almofadado, o kart resiste muito menos, e a velocidade altera cada um desses efeitos. Em curvas, o contrapeso transferido ao volante é claro o suficiente para que o jogador sinta a aderência dos eixos individuais no asfalto, aliviando o peso e as vibrações nos momentos de estabilidade antes partir para um giro brutal durante uma derrapagem. Sem exageros, mesmo os jogadores casuais presentes no evento sentiram por instinto que deveriam lutar pela estabilidade, como num carro.


A única derrapada que a empresa deu, no sentido imersivo, foi a de não incluir a inclinação natural da visão durante as curvas quando o jogador está em primeira pessoa. Se a tentativa era conduzir o máximo possível de imersão, porque deixar a câmera fixa, ignorando a gravidade lateral? Outro jogos já fazem isso há anos.


Gran Turismo 6 sai hoje (6) em todo o Brasil por R$149 e, vale a pena lembrar, cada venda do jogo em todo o mundo terá parte da renda revertida para o Instituto Ayrton Senna, que toca projetos educacionais pelo país. O jogo será lançamento também em bundle com o PlayStation 3 em território brasileiro por R$1.099 a partir da segunda quinzena de dezembro, bem a tempo do Natal.

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